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Ela escreve algo novo.

Anota segredos em sua agenda – relicário de ideias.

Sinto que ela almeja revelar mais sobre os seus dias.

Todavia, as palavras em relevo se apresentam como esconderijos

Desses esconderijos invisíveis,

Disfarces simples e eficazes...


Cutuca-me o íntimo

Os sentidos que suspensos se aglutinam.

Os detalhes a correr entre meus dedos,

A fugir das minhas vistas,

Provocam-me urticárias mentais

- convulsões de pensamentos.


O que fazer para decifrar tais segredos?

Como se faz para alcançar seu relicário?



... - Ah, que falta faz a onisciência...

Ambição sincera e inatingível!

● acabou?

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certeza eu tenho
e de poucas coisas na vida
faço-me
por você eu invento possibilidades
"vou pescar um bacalhau bem grandão pra ti”
e quem dirá que é impossível?
compramos nossos sonhos sem desconto
e as paixões de boteco - "tá sujo mas tá massa" - à vista
porque de sentimento nossos bolsos estão cheios
e que falte tudo, meu amigo
menos a farinha.

Riachão Menina

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Levantam-se os pelos do meu corpo,

Como se fossem cumprimentá-la.

É a atração que sua essência emana,

Nunca me repele, mesmo quando me nega.

Ao encontro, reservo mais que um mergulho

Em seus olhos negros, de ruas por vezes caladas

Que aventuram ludibriar-me a respeito dessa falsa calmaria.

Nos rios de cabelos escuros, teço minhas mãos

A ponto de ver suas águas correrem por todas as minhas vias.

O seu nome a servir como guia

O seu nome como marca viva, presença profunda em meus dias

O seu nome em minha certidão de idade, em minha face

E em minhas veias.

O seu nome no meu nome,

No meu sono mais justo e extravagante.

Em seu nome, Riachão do Jacuípe,

Meu amor de homem,

Minha vontade patente,

Meus desejos errantes.

Minha paz e minha tormenta

Provocada por sua bela figura e por essa distância.

Você é a minha cidade, minha menina

E não sairá de mim

Mesmo quando em você eu não mais existir.

Múrmurios

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Reza cálida a voz trêmula

O fervor que as horas mais avessas conduzem.

É de joelhos que se suplica

Os pleitos necessários para sanar

As enfermidades da matéria e da alma.

Escorregam as lágrimas serenas

Pelas formas enternecidas da malfadada face.

Os lamentos que se seguem

São gritos latentes das feridas enraizadas.

Dá-lhe crença cogente...

Roga-lhe aos ventos...

Ouvidos do Grande Mundo,

Ouçam!

 

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