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Meus medos são outros...
Medo daquilo que conheço demais
Tão intensa e profundamente
sei até quando vai chegar.
Das respostas quase ditas
Que nem ouso perguntar.
Da claridade excessiva
Que me obriga a enxergar.
Das cartas que nem precisam ser lidas
Pra que eu as possa interpretar.
Dos fantasmas muito vivos
A quem eu é que devo assustar.
Medo desse térreo
Que não me permite saltar.
Medo das estradas conhecidas,
Das histórias repetidas
Que já sei onde vão dar.

SUPER PERFUME

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E a vida que gasta os dentes Antes, entes, sempre Sou só um Semi deus Eu pego dessa posta e arranco um fiapo pra desfolhar a coluna desse Na ramagem tácita em que exemplifica para ser feliz Exercita escolhida a dedo em sua falha quente Ausente Minha voz em seus vãos - Só não me suje os cômodos. dessa mentira sem ombros desta beleza disfarçada sem asas dessa vergonha miudinha eu massageando seu nome entre os dedos pra brincar um silêncio botar em paz minha timidez Bicicletas azuis de alecrim São Francisco minha intenção As migalhas com os olhos que deu das tardes mornas dos pés em quebrando que humilham sem cessar bastasse os pães seus olhos desfeitos entre tantos a lona gasta dos meus querendo ser par Sou pessoa usada estrela distante que em tempo devora meu estômago não aceita outro sabor Quem vai me abraçar quando eu cair? de onde se vê flor envolta sem arestas e não se pode tocar sua pele este seu céu cuspido? Agosto, era mês de medo. e que os pássaros baços são sombras e folhas e cantos cores em flores sem as amenidades do pó de estrelas caretas.
A coisa mais querida
Por favor devolva-me.

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Eis a longa madrugada
A revelar essa distância muda.
Não há sino que dobre,
Não há galo que cante,
Não há carros nas ruas,
Para vencer essa pouca cidade.

Desse lado o que resta
É a predominante insônia.
Uma insônia oca, inócua, imprópria
Dessas que não vale a pena,
Pois nada de novo há de acrescentar.

Essa mudez límpida,
Ríspida ao ponto de furar os tímpanos
Tanto é conhecida,
Que já desbravei por completo
Toda a sua geografia

Devastei suas matas,
Conheci do seu relevo,
Banhei-me em suas águas,
Mas ainda assim permaneço perdido
Entre os quilômetros dessa madrugada

Pois, não há sino que dobre,
Não há esquina que dobre,
Não há pessoas nas ruas,
Que vençam essa pouca cidade.

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Vamo andá ombro no ombro pelo planeta e sumí? Saí por aí braços dados cantando alto chico buarque, de tranças e roupa de domingo? Vamo comê cachorro quente, tomá coca-cola, depois milqui xeique e ignorá os gritos de oba das celulitinhas? Vamo dormi em rede de perna enroscada, acordá e beijá na boca, mergulhá no mar e lê até anoitecê? Vamo ficá pelado e brincá de geografia, anatomia, cartografia, astrologia? Vamo ri um do outro, tê soluço, confessá as gafe, perdoá os ingnorante, dá comida pros gato, deitá na sombra de uma árvore bem cheirosa e só levantá depois que uma borboleta pousá no nariz? Vamo lê poema um pro outro e brincá de adivinhá qual foi a palavra que trocamo? Vamo comê no mesmo prato e beijá de boca suja? Vamo falar palavrão bem alto e escandalizá as velhinha? Vamo ouvi som alto e cantá tudo errado? Vamo desenhá nas paredes da casa com giz de cera colorido? Vamo saí por aí, de óculos escuro e boné fingindo que somo celebridades? Vamo brincá de não se desiludi, de não vê burrice, vamo sê um pouco burro também, pra variá? Vamo brincá

De deus
De diabo
De tarado
De compositor
De escritor? Que é aquilo de poder lê um monte, escrevê três linhas por dia e acharem que a gente tá trabalhando?
Vamo brincá de médico? Que é aquilo de eu vê nos detalhes o que tem dentro das tuas calça e depois te mostrá o que tem dentro das minha? E de poesia de amor?
Quero de ti somente
O que me darias em segredo
Quero teus cabelos entre meus dedos

Bom Noite, leitor...

Feliz (? ) Dia dos Namorados...

 

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