Luto pelo estado do meu Estado

|

Posso orientar a minha filha sobre quais sites visitar na internet, pra que não fale com estranhos e também pra quê não marque encontros com pessoas desconhecidas. Mas nunca diria pra ela que não deveria olhar pela janela do quarto aonde dormimos, DENTRO da casa na qual moramos. Até ontem isso nunca tinha me passado pela cabeça. Penso e questiono se a partir de ontem essa orientação fará parte do meu repertório de mãe. O que é isso? Aonde estamos?

Jornais, revistas, rádio e TV hoje têm diariamente a violência como pauta. Tornou-se tão comum que banalizamos o fato e vivemos com o mesmo comodismo de esperar por um ônibus por meia hora em média, com a acomodação em votar em tal candidato mesmo sabendo que é corrupto, pegar um documento na mão de um amigo para pagar na fila do banco, em fingir que dorme pra não dar lugar a alguém que com menos condições físicas que nós, em comprar ingresso na mão de cambista. É o mesmo princípio - ou a falta dele - : Respeito pelo outro! 
Todo dia sangramos um pouco e nem sempre nos damos conta. Até quando acontece algo de uma dimensão tão estúpida que não dá pra ignorar. Aí há um choque coletivo. Uma comoção intensa, só não sabemos quanto tempo vai durar.
A dor da família de Janaína Cristina Conceição, 16 anos, e Gabriela Alves Nunes, de 13 e de  Joel da Conceição Castro, de 10 anos, não tem data pra acabar, é uma tristeza sem data de validade.
Joel queria ser capoerista como o pai - que desenvolve um trabalho com meninos do Nordeste de Amaralina pra que não fiquem na rua "à mercê", o que é obrigação so Estado. Tenta proteger aquelas crianças, e não pôde proteger seu filho -. Sonhava em crescer seguindo seus passos e se empenhava pra isso, era um dos melhores alunos do grupo de capoeira. Chamava tanto atenção pelo seu empenho que foi chamado pra participar da propaganda do governo do estado convidando turista pra virem conhecer a "Bahia, terra de todos nós". Quanta ironia! 
As meninas certamente tinham seus sonhos também. Todos DIZIMADOS!

"Primeiro levaram os negros.                                     

Mas não me importei com isso.                                    
O grito, de Edvard Munch


Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários.

Mas não me importei com isso.

Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis.

Mas não me importei com isso.

Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados.

Mas como tenho meu emprego, também não me importei.

Agora estão me levando.

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém.

Ninguém se importa comigo".

Bertold Brecht (1898-1956).




|

- Vinho?

....

RESPOSTA:

- Pra pintar um pouco a alma. Topas?

|

Deus sabe tudo, mas, maroto que é, não me diz nada.
Ah, Danadinho!

ok

|

|

02:35 hs

Eu queria saber fazer poemas

Destes que falam de verdades

Tudo aquilo que se esconde ( entende???)

Destro de mim, das coisas, de você... sei La

Queria assim destes bem “feitinhos”

Para que todos que lessem

Entendesem O por que

Que eu não falo tudo o que penso

Há...eu queria sim

Fazer assim

Um poema de amor, de dor, cor, flor

Sei lá...

Só queria que soubesse

Quem sabe, eu teria um caderno

Uma caneta acordados

Ao meu dispor

Acompanhando-me, me entendendo

Como eu queria ser poeta.


Tiago Carvalho Nascimento

Rebuliço

|

Você chegou, desarrumou tudo, me confundiu e saiu
Fiquei à espreita da porta
Esperando uma possível volta

Aos Poetas Mortos

|

A marcha segue lenta
Pelas ladeiras íngremes das ideias.
É o cortejo mais dolorido.
É fúnebre o ritmo dos passos
Que acompanham tamanho silêncio.
As letras unidas para tecer o poema não dito
As frases avessas para rememorar
Os textos esquecidos.
A língua presa
Calando o que nunca foi som.
Os olhos espremidos
Suplicando em água e sal
A última sílaba
Fusão elementar daquela primeira vida.
Vírgulas e vírgulas em soluços intermináveis
Buscando o encontro de uma nova oração.
Velhos poetas,
Levantem-se!
As histórias carentes os esperam,
A vida corrente os clama.

|

Meu Custo


De repente em contato com o óvulo,
Sentindo o incentivo, do gosto salgado de ligar,
Esta preso em teu sangue, esperando o teu jeito de me colocar ao mundo.
Seco de gosto disparo em meu tempo, contratempos de tuas décadas, de tua época que me choca contra um jeito contra de ver as coisas.
Agrido-te, tua forma dessincronizada, meu arrepio de vergonha, do tempo que choca, da fala presa, do modo agressivo que nos desligamos.
Vamos nos desafinisando, contra a lei da odisséia.
A consciência que muda, grita, contra os erros da aprendizagem.
A falta de coragem, as promessas ultrapassadas ligando o elo, que nos deixa preso a mais voltas a limites já cruzados.
E machucados pelas laminas do arrependimento, vamos sabendo o que é certo, de um jeito duro e covarde.
Cortando-nos, sentindo cuspidos de um corpo para outro.
A azia da vontade de chorar fala por mim, pois cega a vontade de mudar.
O peso desta situação me apavora.
O relógio cobra as divida existentes.
O estagio do mundo nos surra, criando rivais em tormentos.
Em um momento a frente, podemos trocar de lugar.
Não sei como será nosso tempo.
Mas cederei como te o meu útero.


Mário Abreu

Pra Ângeli

|

Está em você os meus acertos e falhas
Meu sossego e inquietudes
Meus excessos e faltas
Minha bondade e egoísmo
Meus discursos e meu silêncio
Meus sorrisos e lágrimas
Meus questionamentos e respostas
Minhas ansiedades e ponderações
Minhas escolhas e desistências
Alegrias e dores
O que sou, conquistas e história
Tudo o que eu posso e o que jamais poderia
São doze anos de TUDO!

...

|

Da nuca
até a minha cintura...
Lamba-me
quando for me deixar...

...

|

Ela escreve algo novo.

Anota segredos em sua agenda – relicário de ideias.

Sinto que ela almeja revelar mais sobre os seus dias.

Todavia, as palavras em relevo se apresentam como esconderijos

Desses esconderijos invisíveis,

Disfarces simples e eficazes...


Cutuca-me o íntimo

Os sentidos que suspensos se aglutinam.

Os detalhes a correr entre meus dedos,

A fugir das minhas vistas,

Provocam-me urticárias mentais

- convulsões de pensamentos.


O que fazer para decifrar tais segredos?

Como se faz para alcançar seu relicário?



... - Ah, que falta faz a onisciência...

Ambição sincera e inatingível!

● acabou?

|

certeza eu tenho
e de poucas coisas na vida
faço-me
por você eu invento possibilidades
"vou pescar um bacalhau bem grandão pra ti”
e quem dirá que é impossível?
compramos nossos sonhos sem desconto
e as paixões de boteco - "tá sujo mas tá massa" - à vista
porque de sentimento nossos bolsos estão cheios
e que falte tudo, meu amigo
menos a farinha.

Riachão Menina

|

Levantam-se os pelos do meu corpo,

Como se fossem cumprimentá-la.

É a atração que sua essência emana,

Nunca me repele, mesmo quando me nega.

Ao encontro, reservo mais que um mergulho

Em seus olhos negros, de ruas por vezes caladas

Que aventuram ludibriar-me a respeito dessa falsa calmaria.

Nos rios de cabelos escuros, teço minhas mãos

A ponto de ver suas águas correrem por todas as minhas vias.

O seu nome a servir como guia

O seu nome como marca viva, presença profunda em meus dias

O seu nome em minha certidão de idade, em minha face

E em minhas veias.

O seu nome no meu nome,

No meu sono mais justo e extravagante.

Em seu nome, Riachão do Jacuípe,

Meu amor de homem,

Minha vontade patente,

Meus desejos errantes.

Minha paz e minha tormenta

Provocada por sua bela figura e por essa distância.

Você é a minha cidade, minha menina

E não sairá de mim

Mesmo quando em você eu não mais existir.

Múrmurios

|

Reza cálida a voz trêmula

O fervor que as horas mais avessas conduzem.

É de joelhos que se suplica

Os pleitos necessários para sanar

As enfermidades da matéria e da alma.

Escorregam as lágrimas serenas

Pelas formas enternecidas da malfadada face.

Os lamentos que se seguem

São gritos latentes das feridas enraizadas.

Dá-lhe crença cogente...

Roga-lhe aos ventos...

Ouvidos do Grande Mundo,

Ouçam!

"Desfiando Ricardo"

|

Escuridão

Ao inverso do pardo

Ao não entendido

Ao não visto

Perpetuo cáli(-se)ce de indivíduos

Concreto ou não

Escuridão....

Sombra

Diz-se da sombra que ela é dotada de ausência de luz, de forma parcial. Diz-se, também, que viver à sombra de algo ou alguém é viver atrás deste ou em função daquele ou daquilo. Dessa sombra que se vê, é aquilo que o desconhecido projeta. É o que se tenda esconder, mas o desejo teima em clarear, nem que seja um tanto, nem que a visão não vá tão adiante.

Asas de Fadas

Inflam, escudo para minhas falhas

Asas casas, fadas.

Para quem mantê-las

Para quem acha-las

Pertence-las, tê-las

Asas de fadas

Demônio

Figura enigmática, povoadora dos terrenos germinativos dos medos de muitos. Para uns, um elo perturbador entre o mundano e o sacro. Entre um deus (ou os deuses) e os homens. Para outros, não passa de mais um deus, uma caricatura de divindade. Anjos caídos, figuras originárias da luz, mas que a ela não mais pertence. Talvez demônios tenham muito mais a ver com as sombras do que com a escuridão. Pensemos...: Escuridão; ausência completa da luz. Sombra; uma parcialidade de luz, tosca, talvez, mas ainda há uma luz embaçada. Vindo de onde se diz, demônios são sombras ou são das sombras. Daí se dizer que há demônios por detrás dos seres, dependendo da posição destes ante a fonte luminosa... Há lamentos que imprimem sombras no teto, o medo a transformar pensamentos abjetos em figuras demoníacas nas paredes, nas faces, nos gestos.


Seu Cheiro

Fino ladrão que furta os sentidos. Junto ao vento frio, corta, dilacera, destrói o cobertor. Invasor nato dos meus dias, percorre quilômetros e acessa minha pálida memória pelas vias nasais, para remontar cenas passadas, construir imagens-desejos futuros... Seu cheiro a tirar minhas vestes, desvendando meu esguio demônio, ressuscitando das sombras, daquela fosca luz, meu desejo-carne, meu desejo-seu... Dá-me a luz, essa que advém de seu cheiro.

Ébano

Querido seja

Inconfundíveis sejam

Onde pairas

Aonde cega-lo?

Aonde nascê-lo

Ébano.

Asas

Na anatomia das aves, membros superiores substitutivos dos braços humanos. Na imaginação humana, vontade de voar. Talvez, a elas estão adjuntos os desejos humanos mais próximos da liberdade. As asas são meios de transporte... Sinônimo de ampliação de pensamentos, criatividade ou mera distração. Asas de anjos que se quebram e caem. Asas dos caídos que se regeneram e que alçam vôos, distanciando-os das sombras. Asas: Dessas partes que transportam seu cheiro e fazem-no pousar em plena minha varanda escarlate, minha sala quase-casa, meus lençóis solitários, meus pulmões-cama... dias e noites...

Purpuro

Roxo, vermelho

Meeiro

Para os altos

Altas realezas

Cor real, palpável, desejo.

Desejo ao consolo

Purpuro.

Lábios Flamejantes

O espelho, o reflexo, a moldura. A visão a identificar marcas no corpo esguio. Parecem-lhe queimaduras. Não ardem, apenas. Brilham a luminosidade daquelas casas noturnas. Brilham a cor rubra. Brilham o sentimento que se perpetua no instante mais carnal. Sem perícia, sob a mais singela análise, seus lábios: os provocadores de tamanhas chagas. Estes hão de retornar, pois do veneno se extrai o único antídoto para a cura destas queimaduras que não cessam... Seus lábios flamejantes queimando todos tecidos de meus órgãos. Exorcizando... (mas não sai de mim).

Estrelas

A elas , almeja-se

Deseja-se a eras

Deveras que alcança-las

Deverias,

Estrelas

Noites

Reduto natural do que se esconde e do que se revela. Há quem prefira as frias, outros há cobiçarem as quentes. Teu cheiro andarilho-voador apenas doou-me as mornas! Essas noites mornas, essas que me deito com teu cheiro, sem teus pêlos, peles, lábios...

Demônios

Tê-los?

Ou não tê-los?

És a infinda questão

Ao vivo ou nos sonhos

Demônios

Fadas

Entes oriundos do mundo invisível. Sua agilidade em intervir nos destinos dos seres é tão recorrente que percebê-las não é só uma questão de tato. Suas asas ligeiras há incidir nos dias, espalhando seus diversificados aromas mágicos, apagando as sombras, dissipando demônios, transmutando as noites em dias brandos.

Sombras

Da noite

Brinquedos de medos

Do dia, horas e companhias.

Às partes esquecidas...

Sombras

Gritante

Suas ausências e seus silêncios guerreiam nas tépidas horas em que procuro as suas formas. Seus lábios cerrados e distantes, todas as suas faces dispersas em uma indiferença alarmante, que em seus silêncios gritantes estouram os meus tímpanos, diluem minha alma.

Adormeço

Na escuridão

Cubro-me em suas asas de fadas

Deito-me sobre ébano-purpuro

Penso em estrelas e demônios

Vejo tuas sobras

Adormeço


Elias Heider de C. C e Tiago C. N

Oásis

|

"Cavalguei por todos os
lados do mundo...
Pela terra
Pelo ar e
Pelo mar
Procurava a paz:
E a encontrei
justamente no instante
que eu como peixe
mergulhei em mim e deixei minh'alma!"

...

|

Ontem a noite, no meio de uma das minhas insônia, liguei a TV, ia começando "tele cine" e na vinheta antes de começar eu torci pra não ser um filme ruim, então começou um filme nacional "O Signo da Cidade", ai então eu assisti um ótimo filme, recomendo a todos. Bom esse é um blog de poesia e vocês deve estar se perguntando "porque diabos esse cara ta falando disso aqui no blog" calma, eu explico, perto do fim do filme recitam um poema e eu pesquisei na net ( AVE GOOGLE!!! ), e era esse aqui...


Poema de Sombra – Por Bruna Lombardi


Se perdem gestos,

cartas de amor,

malas,

parentes

Se perdem vozes,

cidades,

países,

amigos

Romances perdidos,

objetos perdidos,

histórias se perdem.


Se perde o que fomos e o que queríamos ser.

Se perde o momento,

mas não existe perda,

existe movimento.

PAPEL CARBONO

|

Ela reclama de minha fraca memória.
Fala alguma coisa, escuto, mas não guardo.
Juro que escuto, a deficiência não é auditiva.
É que não encontro um local seguro para guardar.

Há muito tempo deixei
de ser um esconderijo confiável.

|

Pois,a mesma alma que ama pode fazer sofrer?
Se tratando de vida,não há nada errado nisso.
A vida é um dilema às vezes cruel,vezes justa de menos.
Pouco importa o sofrimento e seus níveis,todos abrem feridas que quase sempre cicatrizam de maneira saudável...a questão é quanto tempo levará...
Depois verá que não foram motivos apresentados,nem todos aqueles pressupostos...
Motivos vêm como blocos,
Pedras construindo castelos tenebrosos,
O alicerce maciço de outrora já não mais sustenta o meu ou o teu,enfim...
Nasce sempre um novo,
Dar existência ao novo,
Até o certo momentâneo... (*)


*Por Rob.

|

Procuro entre as paredes do meu quarto
Busco através de sua escuridão
Suas sombras não podem me levar muito longe
Trêmulas imagens bailam entre os ruídos
Talvez do bater de asas de fadas
Ou pelo lamento que desenha demônios pelo teto
Procuro na luz que atravessa a janela
Ela se perde pelo chão e morre sem me mostrar
Busco seu cheiro no vento frio que corta os cobertores
Ponteiros inertes adormecem impiedosos
E nesse pesadelo de ébano
Nesse desperto desespero
Respiro a noite profunda
Sufoco na limitação de não abrir as asas
Afogo-me na correnteza dos lençóis
Procuro no vazio dos meus olhos fechados
Seu corpo púrpuro
Seus lábios flamejantes
Navego devagar sob as estrelas
E deixo meus olhos se abrirem
É tudo familiar como em todas as noites
Móveis, ruídos, demônios, fadas, sombras
E sua ausência
Gritante
Sussurrante
Dual
Insone
Procuro
Adormeço...

Vinho

|

Aquele copo d’água em suas mãos
A imitar sorrateiramente
O pálido gesto de uma das suas faces
Ascendeu em mim a cor
Que transpassa o sorriso imaculado.

O vento a fitar os seus negros cabelos,
Transportando o aroma exalado por sua dança
Furtou-me em um só tempo
Todos os sentidos.

Meus olhos presos em seu queixo,
As mãos soltas a sua procura
A língua degustando desde já
O seu gosto mais liberto...

Os ouvidos atentos aos sinais de sua voz,
Aqueles mais discretos,
Aqueles sussurros mais íntimos
Códigos secretos que hão de ser nossos.

Um copo d’água a desmistificar a santidade
A transladar-se em vinho
Quedando-se por completo a tímida castidade

E ganhado em seu cerebelo o porre mais bonito.

|

O teto se desprende
E eu vejo o céu se aproximar
Voraz
Incontido
É apenas um truque
Uma inútil manobra
Talvez se eu fechar os olhos
Eu consiga ver apenas o que te faz sorrir
Quem sabe o céu e o teto
Estejam no mesmo lugar
Quem sabe isso é somente
Por você preferir os cobertores

Sempre EU

|

Já me enganei varias vezes

Parti-me em pedaços, que eu mesmo desconhecia.

Entrei em desespero com minhas alegrias

Contei minhas derrotas, amei meus inimigos.

Alimentei a Ira pelo os meus amores,...

Ouvir musica... Quando era para ter silencio

Gritei, expus minha alma...

Entediei-me no silencio, quando era para morrer de som ,de berro, de cor e imagem...

Eu fui verbo

Eu sou verso, sou tantas coisas...

Egocêntrico (e não sabia)

Sou Narciso com miopia

Sou meu próprio Deus, temendo ser Homem...

Tiago... Um Icaro de azas um pouco mais pesada que o normal....

...

|

Meus medos são outros...
Medo daquilo que conheço demais
Tão intensa e profundamente
sei até quando vai chegar.
Das respostas quase ditas
Que nem ouso perguntar.
Da claridade excessiva
Que me obriga a enxergar.
Das cartas que nem precisam ser lidas
Pra que eu as possa interpretar.
Dos fantasmas muito vivos
A quem eu é que devo assustar.
Medo desse térreo
Que não me permite saltar.
Medo das estradas conhecidas,
Das histórias repetidas
Que já sei onde vão dar.

SUPER PERFUME

|

E a vida que gasta os dentes Antes, entes, sempre Sou só um Semi deus Eu pego dessa posta e arranco um fiapo pra desfolhar a coluna desse Na ramagem tácita em que exemplifica para ser feliz Exercita escolhida a dedo em sua falha quente Ausente Minha voz em seus vãos - Só não me suje os cômodos. dessa mentira sem ombros desta beleza disfarçada sem asas dessa vergonha miudinha eu massageando seu nome entre os dedos pra brincar um silêncio botar em paz minha timidez Bicicletas azuis de alecrim São Francisco minha intenção As migalhas com os olhos que deu das tardes mornas dos pés em quebrando que humilham sem cessar bastasse os pães seus olhos desfeitos entre tantos a lona gasta dos meus querendo ser par Sou pessoa usada estrela distante que em tempo devora meu estômago não aceita outro sabor Quem vai me abraçar quando eu cair? de onde se vê flor envolta sem arestas e não se pode tocar sua pele este seu céu cuspido? Agosto, era mês de medo. e que os pássaros baços são sombras e folhas e cantos cores em flores sem as amenidades do pó de estrelas caretas.
A coisa mais querida
Por favor devolva-me.

|

Eis a longa madrugada
A revelar essa distância muda.
Não há sino que dobre,
Não há galo que cante,
Não há carros nas ruas,
Para vencer essa pouca cidade.

Desse lado o que resta
É a predominante insônia.
Uma insônia oca, inócua, imprópria
Dessas que não vale a pena,
Pois nada de novo há de acrescentar.

Essa mudez límpida,
Ríspida ao ponto de furar os tímpanos
Tanto é conhecida,
Que já desbravei por completo
Toda a sua geografia

Devastei suas matas,
Conheci do seu relevo,
Banhei-me em suas águas,
Mas ainda assim permaneço perdido
Entre os quilômetros dessa madrugada

Pois, não há sino que dobre,
Não há esquina que dobre,
Não há pessoas nas ruas,
Que vençam essa pouca cidade.

|

Vamo andá ombro no ombro pelo planeta e sumí? Saí por aí braços dados cantando alto chico buarque, de tranças e roupa de domingo? Vamo comê cachorro quente, tomá coca-cola, depois milqui xeique e ignorá os gritos de oba das celulitinhas? Vamo dormi em rede de perna enroscada, acordá e beijá na boca, mergulhá no mar e lê até anoitecê? Vamo ficá pelado e brincá de geografia, anatomia, cartografia, astrologia? Vamo ri um do outro, tê soluço, confessá as gafe, perdoá os ingnorante, dá comida pros gato, deitá na sombra de uma árvore bem cheirosa e só levantá depois que uma borboleta pousá no nariz? Vamo lê poema um pro outro e brincá de adivinhá qual foi a palavra que trocamo? Vamo comê no mesmo prato e beijá de boca suja? Vamo falar palavrão bem alto e escandalizá as velhinha? Vamo ouvi som alto e cantá tudo errado? Vamo desenhá nas paredes da casa com giz de cera colorido? Vamo saí por aí, de óculos escuro e boné fingindo que somo celebridades? Vamo brincá de não se desiludi, de não vê burrice, vamo sê um pouco burro também, pra variá? Vamo brincá

De deus
De diabo
De tarado
De compositor
De escritor? Que é aquilo de poder lê um monte, escrevê três linhas por dia e acharem que a gente tá trabalhando?
Vamo brincá de médico? Que é aquilo de eu vê nos detalhes o que tem dentro das tuas calça e depois te mostrá o que tem dentro das minha? E de poesia de amor?
Quero de ti somente
O que me darias em segredo
Quero teus cabelos entre meus dedos

Bom Noite, leitor...

Feliz (? ) Dia dos Namorados...

|



|




|

Após a ventania de dias de fúria
Sopra leve a brisa de outro tempo.
Meus ombros se alargam
Ficam à vontade, enfim.
São eles agora libertos.
Não sinto o fardo se declinando
Sobre minhas frágeis vértebras.

|

...eleita
ai do amor
que não se deita
a

Carne-Cal

|

No podre chão das ruas, um pedaço do mundo.
Mergulho meus pés numa poça de lama
Só para me sentir ainda mais sujo.
Daquele cenário, quanto de mim a vida furta?
Ou de mim, quanto nojo minha alma empresta?
Lanço o meu olhar esquinado
Para me desfazer daquela pouca piedade
Que me apanha nas manhãs de segunda-feira.
O concreto ruge junto ao ronco dos motores.
Quem mais me circunda, além de mim mesmo?
A cidade não deixa enxergar as coisas que se deterioram ao lado.
Eu finjo não tocar a margem
Para, então, de forma degradante,
Manter-me a margem disso tudo.
Visto, assim, os meus antolhos.
Ponho a mostra os meus óculos escuros.
Quem passeia sobre os meu
s pés nessa cidade?
Quem se apodera desse uniforme padronizado?
A que alma esse corpo pertence?
Quanto de mim a cidade ainda não cobra?

|

O mundo te mostrou parte do seu veneno
E dele você provou um tanto a mais do que precisava
E eu digo minha menina
Não... não era preciso
Mas se eu fui a cura para tantas lágrimas
Dei-me minha armadura e minha espada
Entregue-me o escudo e minha bandeira verde-roxo
E eu trarei de dentro da mais escura alameda
Nosso quintal e nossa varanda
Nossa mesa e nossa cama
Nós fizemos nosso caminho
E ele nos mostrou a rota desconhecida
A rota daqueles que arriscam
Daqueles que descobrem até onde os sonhos podem nos levar
Estou diante de um dragão de incontáveis cabeças
O dia escurece à sua sombra
Eu fito seus olhos negros
Se eu desistir de nós ele me levará embora
Oh Sereia... seu canto me entorpece
Seu mar me guia serenamente
Atravesso o terremoto montado em asas lilases
Meu lar espera por você
Nosso lar espera por nós...

|

Borboleta

Pra onde vai você?

Os traços de meu DNA

Só compatível a medulo, nariz, cabelo talvez...

Com fruta em meio aos teus braços,

Pra onde vai você?

Que nem tchau eu pude dar?

Eu não estava lá

Eu não estava lá

Mesmo sendo pouca distancia

Vivemos nesta tanta ganância

Amor... O mundo já não permite mais este verbo

O certo é acreditar que se encontra

Encontro é verbo futuro

Quem sabe quando vamos está junto,

Que isso seja o mais breve possível

...

Vou adiantar meu relógio.

O seu fruto nosso único,

O único com nosso legado

Nosso nome,...

Pra onde vai você?

Por que temos que passar por tudo isso?

Sei que tempos são difíceis...

Apesar de suas palavras, não acredito na sua felicidade

...

|

Nova Aurora

Sinto o vento de uma nova aurora
Posso voar através dos meus pensamentos
Posso voar junto aos seus delírios
Você está entre meu céu incandescente
E meu oceano de escuridão
Você está em tudo que me faz esquecer
Perdido em seus cachos quase rubros
Meus olhos não poderiam imaginar
O quanto brilhariam em sua presença
Não sinto mais medo em não resistir à tentação dos seus lábios
Eles me levam além do alvorecer
Distante desses rios de tristeza
Noite após noite, manhã após manhã
Meus pulmões quase não resistem sem o ar que você me toma
Toda vez que penso o quanto podemos ser grandes
E agora posso ouvir seu canto
Posso sentir seu abraço
Me levando para o fundo do seu mar
Entorpecido em seu sorriso de sereia...

...!

|

...ao mundo como a ti mesmo
Ao colo como ao consolo
Á vida, como brincando
Ao sonho como noitando
A boca como ao mundo
O colo entre o beijo e a boca
A vida assim engolindo
A língua no céu dançando
O mundo a buscar o corpo
O colo e o consolo no beijo
A vida beijando a noite
A noite trazendo o sonho
A busca, a boca, o beijo
Bailado bando bastando

|

Ícaro as avessas



Hum?

Onde estou?

Onde pareço está?

Já me confundo com tantos buracos

Os quais não vejo seus fundos

“Quando voltarei a minha orbita?”

Neste universo de conflitos

Em meio a tantos, eu me encontro só

Nesta minha doença de sofrer

Olhem para mim

Sou dono só das lagrimas

Que me lavam neste estante

Eu não sou aquilo que vocês pensam

Eu

Não

Sei

Voar

Mais

Alto!

|

Enquanto as lagrimas correm na face quente

Quem te criou

Alimenta-se do medo alheio

De canto em canto

De escuro em Breu

Já não entendem o certo

O acordo assinado

É se der certo

Enquanto as lagrimas correm

Toda a sua vida pode ser a mesma

Quente, breu de canto em-canto... Incerto!

Vias Carcinomas

|

As esperas são regidas
Aos cânticos de lamento.
Nas faces silentes
Resplandecem a imagem da angústia.

Quantas pessoas pedaços padecem?
Neste recinto que dilacera corpos
E também os cura?
Será a calma o remédio “pro tempore”?
Ou será os joelhos dobrados ao chão a via pura?

Os corpos mutilados que aqui trafegam
Almejam êxito nesta guerra funesta
A qual batalha afasta-lhe partes e membros.

Quem doa fé àqueles que procuram?
A força nos pés que a espera cultiva?
A fila que cresce ao nascer da madrugada?
Ou as mulheres que rezam nas igrejas
As velhas ladainhas?

As esperas são regidas
A outros cânticos
Que se renovam a cada tatuagem precisa
Desenhada aos corpos
Pelos instrumentos cirúrgicos.

Heidn.
09/04/2010.

Caneta

|

A caneta serpenteia sobre a escrivaninha.
Projeta sua língua para além de sua boca.
Empenha-se em movimentos ludibriantes.
Objetiva desflorar o imaculado papel.

Ela me seca.
Deseja-me como um instrumento
Para satisfazer sua lascívia.

Sou para ela como cachimbo e a papoula.
Um meio para o seu contentamento,
Uma ferramenta para saciar o seu vício.

E como presa hipnotizada
Não resisto ao seu tento.
Ponho-me, então, ao seu serviço
E ao seu corpo me uno.

E, tal qual seringa plena de entorpecente,
Lanço-a sobre o límpido papel.
A desvirtuar aquele branco puro
Com a podridão das suas nefastas palavras.

Eu, Você e o Silêncio do Fim do Mundo

|

Acordei menos eu
E um pouco mais você.
E era o dia do fim do mundo.
Era um silêncio que ensurdecia,
Que incomodava.
Forçava o grito.
Era seu nome correndo e saltando pelas minhas cordas vocais.
E era um caos paralisante e paralítico.
Era o fim do mundo,
Tanto fim que já não era nada.
A não ser o ardor da ausência de tudo
E do silêncio que enlouquecia.
E eu era muito menos eu naquele dia...
Meu relógio só sabia me dizer tic-tac.
O reflexo no espelho era muito mais você.
E o mundo caindo.
De fora para dentro: silêncio!
De dentro para fora: angústia, saudade, desespero.
Mas eu era menos eu que você.
E era o mundo em seu dia final
Seu nome rompendo o segredo
Ecoando pelos quatro cantos
Antes das quinas ruírem...
Era o fim do mundo

E eu era você mais que eu mesmo.


|

Irene

Teu nome não é tão sonoro

Quanto Ângela, Suzana, e Ana

Mas és tão doce

Quanto o açúcar Darlene

Irene

Meus atos são reflexos do teu verbo

Teu inverno minha tempestade

Invernal não dissolvente

Somente és

Irene

 

©2009 . | Template Blue by TNB