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Na escuridão

Tudo o que não se esvai

É a tua presença.


Tu és o desenho que se firma

Na parte interna de minhas pálpebras.


És o calor que atiça

A vontade imensa

De que haja luz.


A mecânica do meu corpo

Quer se mover ao teu embate.


Colidir-se e fundir-se ao teu ser.


Mas a razão que emperra a alma,

Também enrijece a máquina.


Insiste em manter apagadas as luzes.


Assim, tu és o frio que arrepia o dorso,

És a linha que traceja a madrugada,

És a presença opaca e disforme.

Final Imperfeito

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Um peso contínuo atravanca o próximo passo.

Amarra pelas pernas o imediato caminho.


É quando a vida acaba.


Já não há outra rua.

Barreiras intransponíveis verticalmente solidificam-se.

É o túmulo sufoco que furta o ar.


Quieta a língua no seu cais-abandono

Jazem na boca seca as falas esquecidas.


É o final dos dias.


É gélido o torpor paralítico que avança o peito.

Calcifica o sangue entupindo as veias.

É a morte singela que acalma o sentido,

Transcrevendo as velhas histórias

Para os novos livros.

A Poesia e O Papel

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O mundo a dar voltas


E eu, que de tanto evitar,


Deparo-me ante a tua pálida face.




Estamos cá, nós dois,


Íngremes, reapresentados


Pelo teor desta alta madrugada.




A fuga incapaz


Delata as nossas necessidades.



Lanço teu corpo límpido sobre a cama.




E, vencido pela tara,


Entrego-me a altivez das minhas cismas,


Que logo serão nossas,


Embevecidas pelos cânticos singelos


Desta muda madrugada.




Do reencontro,


O parto febril desaloja o engasgo


Após o espólio do meu âmago


Unir-se as suas entranhas.




Ultrapassa a esfera do desejo,


Para nascer do necessário, filha minha, filha nossa.




Pois, nem sempre há como impedir...


E depois de nos valer de tantos abortos


Por culpas exclusivas minhas,


Por fingir-me tantas vezes saciado,


Nós a concebemos


Distintas das outras que feneceram


E que há muito jazem no sepulcro dos meus esquecimentos.




Venha à vida e cuide em denunciar-me


Como um espelho.


Remeta as minhas notícias


Ao tribunal implacável de minhas memórias.




Nossa filha,


Fruto do nosso reencontro,


Aparta-te de mim:


Prematura, imperfeita e sem fim.





EU CHUVA

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Ontem chovi uma tempestade.

Estraguei tudo

Estraguei todos

Chovi tanto até que a areia de minha pele

Virasse lama, mangue morto.

Lamaçal!

Entulhos e mais entulhos

Espalhados pelo chão do meu quarto,

Pelas paredes de minha face,

Pelos poucos pêlos de meu peito.

Chovi muito

Chovi demais

Assim percebi de quantos metros cúbicos

Eu me faço tempestade,

Temporal.

Elias Heider de Carvalho Cardoso.

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Preciso de uma casa vazia para enchê-la de mim...

pra descontrair e animar o blog... ta tudo com cara de muito serio aqui...

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Meme

Meme é o nome dado a menor unidade de informação do cérebro (gene de memória: meme).

Também é usado para definir uma informação que se autopropaga de cerébro em cerébro através de diversos meios de informação (blogs por exemplo).

Seguindo a lógica do "meme", vou propagar 6 coisas minhas a galera do blog vão continuar essa a reverberação.

Por mais que se pareça uma simples corrente, achei essa divertida.

As 6 coisas:

1- Vivo na net compulsivamente. Já tentei de quase tudo pra parar mas nada adianta.

2- O objetivo da minha vida (além de dominar o mundo, é claro) é ser adotado por Leila, (rsrsrs, Meu amor, meu docinho, eu te amo.)

3- Antes de morrer faço minha tatuagem.

4- Deveria mentir mais. Faria as pessoas mais felizes.

5- Inutilidades de uma maneira geal são encantadoras para mim, de informações à pessoas. É cativante a falta de função.

6- Adoro ouvir musica, sem musica eu fico muito triste.



Pronto, agora é com voces do blog...

é de "bom dia" que faço minha madrugada

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Sou cheiro de fevereiro de dentro pra fora. Embaixo da pele. Entre as camadas de um ser que sou eu, mas não conheço.

Porque é matemático, físico, cientificamente exato. É calculadamente surreal. Eu sou todo labirintos e portas. Ele é meu fio e chaves infinitas. Sinteticidade: o meu jardim secreto. É a suavidade nos detalhes, a sutileza das impossibilidades e a intensidade na vontade que me encantam incomensuravelmente.

Eu, completamente entregue, apaixonadamente submisso. Eu: dele. Por todo o tempo do mundo, ou pelos cinco minutos que equivalem a isso. E é de eternidade efêmera que construo essa equação, que não vale nada, mas tende ao infinito.

Os Dias Ruins

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Falaram-me de dias ruins. Narraram-me detalhes de ventanias que arrasaram aqueles dias, os ruins. Mas eu não os conhecia. Eram fragmentos de histórias contadas, vidas alheias que mal me tocavam, assopravam imagens em minha tênue memória, tanto assim, que eu nem sofria. No máximo, sorriso de canto de boca partia, breve como os segundos jogados no lixo do quintal da casa de minha avó, em fim de férias escolares, lá da época de minha meninice (de tamanho e de idade). Éramos desconhecidos, completos! Eu, na plenitude da ausência deles, do alto de minha pouca estatura e da minha muita inocência falsa; e eles, na curva que antecedia meu encontro, no mês que não se enquadrava no meu calendário febril e plácido. Meus dias, por assim dizer, passeavam sempre entre o final de dezembro e janeiro, saltando fogueiras de São João nas tardes de junho, e assim eram os meus dias naqueles dias. Mas uma foto que antes tanto me sorria, danada e frágil, sutil e cálida, cuidou em nos apresentar... Sinto saudade de todos. Daqueles que me sorriam, dos que ali (naquela foto) me abraçavam. Sinto saudade deles, eles naqueles dias, nos dias que eu ainda não os conhecia, os dias ruins.

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Casamento: Antes, durante...Casamento.



Inventei mil mentiras para controlar o universo.

Mas tudo foi alem do meu humano coração

Solidão foi-se só

Enchendo-me de oportunidades

Se hoje eu sei foi por ter vivido

Por ter ávido sangue em mim.



Velho coração

Cansado destas frases tantas

Destas falsas, loucas santas

Tantos dias

Tantas fantasias

Roubadas do seu calendário

No armário, roupas duplas

Dividem o espaço

Onde o laço aumenta rugas

Andar sonhar

Viver é ser o que então?

Se não o mistério de conhecer!?



Já que as cores são Tão únicas a dois

Odores, flores

Senhoras e senhores

São dores em minha calvície

“velhice meu amargo aos 23”.



São seis, e o meu eu feminino já dorme

Informe, informem-me

O que é amar se não

A falsa sensação

Do entender o outro?

Tolos, tolos

Românticos são tão tolos

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Peleloi

Dentro de algo que envidia
A pesar de sus miedos
Que sin duda sería mi
Pero ...
... Yo quería ser.
Y podría inmortalizar
En la forma de trabajo infantil
Aún no creer.
No espero nada más allá de sus Máximo
Como era común en todo este
Felicito a usted "papá"
Por su capacidad eterna que me asombran.

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A imensidão que me cerca,
Veda meus olhos para quem quer manipular
Para quem quer dominar...
Eu esqueci os meu olhos desmascara”dor” em casa...
...estou perdido.
Todos apontam com teus olhos-farpas
Mas eu não fui criado com boa esquiva
E me mato
Entre as mordidas e escalpes dos olhos alheios
Eu não nasci para isso
Eu não
Eu
Eu
Eu...
... não sou daqui!!!!

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Ah, esse menino,
Não deixa correr.
Segura dentro da caixa dos olhos essa água.
segura e disfarça.
Homem não vira mar.
Homem é poeira, pó, sertão.
Então, trate de secar esses espelhos d'água
Que é pra não desmanchar a sua casca,
Que é pra você, menino, não virar lama,
que se perde e que tudo suja...

Não deixa correr essa água...
Não deixa minar nenhuma gota.
É que sertão não vira mar (contrariando os conselhos de Antonio)
É que você, menino, há de ser sempre poeira,
Pronta pra voar ao sompo do mais franzino vento.

... ai ai com você, esse menino.

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Eu não nasci para ter amigos

Eu não nasci para ser amigo...

Odeio cobrar ou ser cobrado, odeio decepcionar e ser decepcionado,

Odeio que atrase e ser atrasado...

Entende...??

Eu não nasci para andar em grupo odeio q alguém pense como eu,

Odeio a idéia de alguém gostar das coisas que gosto...

Odeio ser egoísta, mas eu sou,

Por isso não tenho amigos,

Por isso não sou amigo

Nasci para ser só e me alto definhar...

Eu me sinto assim,

Eu sou assim...

“Um ser que consegue está para todos, mas não está para si mesmo...”?

Acham mesmo que me conhecem ?

...EU NÂO SOU AMIGO...

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Vivo nesta suportável existência..

Em contacto com que não me convenci,

Tentando me ,e convercer-te

Que na verdade, só souto palavras,

Mas os sentidos, são comuns,

Ou pelo menos quero me convencer disto, pelo menos quero viver assim

Eu

Você

Todos sangram...

...por isso eu acredito, não estou só nesta queda....


Tiago Carvalho Nascimento!!

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Não sei de estórias melhores, meu bem. Não me peça mais livros emprestados. Estes, lacrei, larguei, esqueci numa velha cômoda, num canto cômodo, num esquecimento mais que esquecimento. De minhas fugas, nem eu mesmo mais sei. A sua história invadiu os espaços - nem escapa - nem escapo. Permeia a mais singela conexão neural, e como dor chata na cabeça em dias de vento puro (oficina do demônio), bate o incômodo. Desses, assim, ora leve, ora pesado - uma mistura de palavras, cenas, veneno, cerveja e melaço... Isso só pode terminar em enxaqueca!

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"Meu ponto forte é uma reticência alheia"

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Acorda... Venha ver o poema novo que eu fiz para você

Parei de sangrar faz tempos

E agora mereço, ou melhor,

Eu preciso dos teus braços

Neles o tempo faz minha morada

Vem, abre estes olhos tão vivos

Existem palavras lindas te esperando

Querendo voar ao seu decote

Acorda... Acorda!

Não deixe este tempo passar

E eu esquecer o que fiz para você...

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Deposito minhas amarras

Na resistência de suas pernas.

E me renovo,

Liberto-me discreto

Na reformulação anímica dos sóis

De seus novos dias.

FLUXO

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quero, com talento de mago
te encontrar na rua
azul de lua
e feito gato
silencioso
deitar minhas intenções
nas tuas pernas

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Já nem quero chegar

Onde se esconde meu eu mais sincero.

Eu quero tudo que me faça bem,

E dizer-te tudo o que eu mais posso

Sem me preocupar até onde caminha o bem

Nem onde reside o mal.

Eu quero mais é que o meu verão seja o seu,

Que a eternidade seja minha serva

E que você seja minha.

E que o sempre seja sempre de minha posse

Para eu poder manuseá-lo à minha pura necessidade.

Eu quero você

Sem me importar com o seu entender!

Eu quero mais é que você me queira,

Para o meu entender saber o quanto é bom

Você ser minha.

Eu quero é o meu verão em sua varanda,

O meu amor em seu quarto

E o meu fervor em sua cama.

Eu quero você em meus poros,

Meu suor em sua pele,

Seus gemidos em meus ouvidos.

E eu quero te achar no seu refúgio mais íntimo

Para não poder nem pensar em qual esquina sua

O meu eu se perde.

Amor expresso ou Tiago

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Foi ontem, é hoje e é o mesmo.
Por que o tempo não te muda?
É simples: índole não é algo mutatório.
Sua cabeça poderia ficar alta pela vinho, ainda assim,
eu te olharia com os olhos de agora: parciais.
E pensaria em você com as abelhinhas danadas sobrevoando minha cabeça (você).
Quem te protege, o amor?
O que te alimenta, o amor?
O amor ainda vai te deixar obeso, garoto,
e dessa forma, nem o barquinho feito com o papel mais forte te trará até aqui.
E não ousarei falar de infelicidades,
pois odiaria te ver magrinho.
Nesse mundo de dietas e promessas,
eu só quero te ver bem.
Rir comigo?

 

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