Os Dias Ruins

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Falaram-me de dias ruins. Narraram-me detalhes de ventanias que arrasaram aqueles dias, os ruins. Mas eu não os conhecia. Eram fragmentos de histórias contadas, vidas alheias que mal me tocavam, assopravam imagens em minha tênue memória, tanto assim, que eu nem sofria. No máximo, sorriso de canto de boca partia, breve como os segundos jogados no lixo do quintal da casa de minha avó, em fim de férias escolares, lá da época de minha meninice (de tamanho e de idade). Éramos desconhecidos, completos! Eu, na plenitude da ausência deles, do alto de minha pouca estatura e da minha muita inocência falsa; e eles, na curva que antecedia meu encontro, no mês que não se enquadrava no meu calendário febril e plácido. Meus dias, por assim dizer, passeavam sempre entre o final de dezembro e janeiro, saltando fogueiras de São João nas tardes de junho, e assim eram os meus dias naqueles dias. Mas uma foto que antes tanto me sorria, danada e frágil, sutil e cálida, cuidou em nos apresentar... Sinto saudade de todos. Daqueles que me sorriam, dos que ali (naquela foto) me abraçavam. Sinto saudade deles, eles naqueles dias, nos dias que eu ainda não os conhecia, os dias ruins.

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