O Tempo

|

Do meu quarto
A janela me reapresenta aquele mesmo horizonte.

Minha visão curiosa invade a sua casa vazia
Para demonstrar um fino pano
Que com eficácia apaga minhas digitais de seu corpo agre-doce.

Da escada sinto o cheiro de um entorpecente qualquer
Que exala das garrafas violadas de noites passadas,
Que cuida em remover meus resquícios de seus pensamentos.

Gemidos longínquos brotam agonizantes
De um livro esquecido que suplica o meu retorno.
É um blefe apaixonante de um de seus muitos capítulos
Que almeja incutir a idéia de acréscimo de lembranças.

Mas do seu lar vazio sou eu agora menor
Sou eu agora quase nada,
Quase ínfimo
Quase esquecimento.

Sou eu poeira desprendida alçada ao vento
Em um vôo sem destino
Aos caprichos de um sopro-deboche de um deus comum (o tempo).

Heidn

0 comentários:

Postar um comentário

 

©2009 . | Template Blue by TNB