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Deitei ao seu lado, segurei a sua mão e disse com a cara mais lavada:
- Não cobrarei de você poesias no café da manhã. Fica comigo essa noite e não dorme. Prometo a felicidade que nunca causei a alguém, e, na verdade, nem sei se ela existe, mas... Vamos descobrir juntos?
Você sorriu descrente (minha mentira mais perfeita não convence nem a mim mesmo), mesmo assim, apertou minha mão forte. Pediu um gole d’água, um contraste com minha embriaguez sacana. (Quando bebo as palavras ficam mais soltas, e não aceito que diga que me revisto de todo egoísmo!). Mas você disse mesmo assim.
– Então, tá, disse eu (fui egoísta?). Bebi mais um gole do whisky, confesso que estava aguado...
– E aí, qual é o próximo passo? – perguntou você.
Eu já não disse mais nada... fingi ter fraca memória e raciocínio lento, só por malícia, pois lembranças, sarcasmos e sabedoria não nos eram convenientes naquela hora...
Minha mão não mais nas suas, você sorriu o sorriso do sim. Olhou com os olhos de pressa. (demora não, - nem precisou dizer)...
- Apaga a luz, se você quiser, disse você.
Eu não apaguei (lógico). Sou devoto de São Tomé e nunca vou à igreja.
- Quero você é de luz alta, disse com meio sorriso e com toda maldade...



"Você sorriu, mas não um meio sorriso igual ao meu. Sorriu com aquele ar de autoconfiança que me fez estremecer. Abriu os braços, num gesto de aprovação.
Não tive mais dúvidas. Joguei meu corpo sobre o seu. Beijei seus lábios ternamente.
Senti teu coração palpitar. Nosso respirar era compassado. Você me afagava de um modo acalentador.
Por uma fração de segundos, tive a impressão de que acontecia algo diferente. Fiquei consternado... Nos seus olhos vi vorazes desejos.
Não sei bem se fui eu que te possui ou se foi você quem me possuiu. Mas naqueles momentos, fomos um do outro. Fomos só eu e você num intervalo que pareceu durar toda uma noite.
Não conseguíamos mais dizer nada. Nem era preciso. Nossas mentes, nossos corpos estavam em total sintonia.
Você começou a murmurar palavras ao meu ouvido. Não sei o que elas queriam dizer, mas me fizeram mais seguro, mais forte, mais, mais, mais... tudo...
Ao final de tudo, nossos corpos se emparelharam num suspirar ofegante.
Te olhei. Você sorria. Essa visão me satisfez.
Procurei meu copo, mas não encontrei.
Desfaleci...
Ao acordar, sobrara apenas seu perfume pelo ar...
Mas cadê você?? Não pode ter ido embora assim!!
Achei apenas seu telefone anotado num cantinho da minha agenda..."

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