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Eis a longa madrugada
A revelar essa distância muda.
Não há sino que dobre,
Não há galo que cante,
Não há carros nas ruas,
Para vencer essa pouca cidade.

Desse lado o que resta
É a predominante insônia.
Uma insônia oca, inócua, imprópria
Dessas que não vale a pena,
Pois nada de novo há de acrescentar.

Essa mudez límpida,
Ríspida ao ponto de furar os tímpanos
Tanto é conhecida,
Que já desbravei por completo
Toda a sua geografia

Devastei suas matas,
Conheci do seu relevo,
Banhei-me em suas águas,
Mas ainda assim permaneço perdido
Entre os quilômetros dessa madrugada

Pois, não há sino que dobre,
Não há esquina que dobre,
Não há pessoas nas ruas,
Que vençam essa pouca cidade.

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