Escuridão
Ao inverso do pardo
Ao não entendido
Ao não visto
Perpetuo cáli(-se)ce de indivíduos
Concreto ou não
Escuridão....
Sombra
Diz-se da sombra que ela é dotada de ausência de luz, de forma parcial. Diz-se, também, que viver à sombra de algo ou alguém é viver atrás deste ou em função daquele ou daquilo. Dessa sombra que se vê, é aquilo que o desconhecido projeta. É o que se tenda esconder, mas o desejo teima em clarear, nem que seja um tanto, nem que a visão não vá tão adiante.
Asas de Fadas
Inflam, escudo para minhas falhas
Asas casas, fadas.
Para quem mantê-las
Para quem acha-las
Pertence-las, tê-las
Asas de fadas
Demônio
Figura enigmática, povoadora dos terrenos germinativos dos medos de muitos. Para uns, um elo perturbador entre o mundano e o sacro. Entre um deus (ou os deuses) e os homens. Para outros, não passa de mais um deus, uma caricatura de divindade. Anjos caídos, figuras originárias da luz, mas que a ela não mais pertence. Talvez demônios tenham muito mais a ver com as sombras do que com a escuridão. Pensemos...: Escuridão; ausência completa da luz. Sombra; uma parcialidade de luz, tosca, talvez, mas ainda há uma luz embaçada. Vindo de onde se diz, demônios são sombras ou são das sombras. Daí se dizer que há demônios por detrás dos seres, dependendo da posição destes ante a fonte luminosa... Há lamentos que imprimem sombras no teto, o medo a transformar pensamentos abjetos em figuras demoníacas nas paredes, nas faces, nos gestos.
Seu Cheiro
Fino ladrão que furta os sentidos. Junto ao vento frio, corta, dilacera, destrói o cobertor. Invasor nato dos meus dias, percorre quilômetros e acessa minha pálida memória pelas vias nasais, para remontar cenas passadas, construir imagens-desejos futuros... Seu cheiro a tirar minhas vestes, desvendando meu esguio demônio, ressuscitando das sombras, daquela fosca luz, meu desejo-carne, meu desejo-seu... Dá-me a luz, essa que advém de seu cheiro.
Ébano
Querido seja
Inconfundíveis sejam
Onde pairas
Aonde cega-lo?
Aonde nascê-lo
Ébano.
Asas
Na anatomia das aves, membros superiores substitutivos dos braços humanos. Na imaginação humana, vontade de voar. Talvez, a elas estão adjuntos os desejos humanos mais próximos da liberdade. As asas são meios de transporte... Sinônimo de ampliação de pensamentos, criatividade ou mera distração. Asas de anjos que se quebram e caem. Asas dos caídos que se regeneram e que alçam vôos, distanciando-os das sombras. Asas: Dessas partes que transportam seu cheiro e fazem-no pousar em plena minha varanda escarlate, minha sala quase-casa, meus lençóis solitários, meus pulmões-cama... dias e noites...
Purpuro
Roxo, vermelho
Meeiro
Para os altos
Altas realezas
Cor real, palpável, desejo.
Desejo ao consolo
Purpuro.
Lábios Flamejantes
O espelho, o reflexo, a moldura. A visão a identificar marcas no corpo esguio. Parecem-lhe queimaduras. Não ardem, apenas. Brilham a luminosidade daquelas casas noturnas. Brilham a cor rubra. Brilham o sentimento que se perpetua no instante mais carnal. Sem perícia, sob a mais singela análise, seus lábios: os provocadores de tamanhas chagas. Estes hão de retornar, pois do veneno se extrai o único antídoto para a cura destas queimaduras que não cessam... Seus lábios flamejantes queimando todos tecidos de meus órgãos. Exorcizando... (mas não sai de mim).
Estrelas
A elas , almeja-se
Deseja-se a eras
Deveras que alcança-las
Deverias,
Estrelas
Noites
Reduto natural do que se esconde e do que se revela. Há quem prefira as frias, outros há cobiçarem as quentes. Teu cheiro andarilho-voador apenas doou-me as mornas! Essas noites mornas, essas que me deito com teu cheiro, sem teus pêlos, peles, lábios...
Demônios
Tê-los?
Ou não tê-los?
És a infinda questão
Ao vivo ou nos sonhos
Demônios
Fadas
Entes oriundos do mundo invisível. Sua agilidade em intervir nos destinos dos seres é tão recorrente que percebê-las não é só uma questão de tato. Suas asas ligeiras há incidir nos dias, espalhando seus diversificados aromas mágicos, apagando as sombras, dissipando demônios, transmutando as noites em dias brandos.
Sombras
Da noite
Brinquedos de medos
Do dia, horas e companhias.
Às partes esquecidas...
Sombras
Gritante
Suas ausências e seus silêncios guerreiam nas tépidas horas em que procuro as suas formas. Seus lábios cerrados e distantes, todas as suas faces dispersas em uma indiferença alarmante, que em seus silêncios gritantes estouram os meus tímpanos, diluem minha alma.
Adormeço
Na escuridão
Cubro-me em suas asas de fadas
Deito-me sobre ébano-purpuro
Penso em estrelas e demônios
Vejo tuas sobras
Elias Heider de C. C e Tiago C. N
3 comentários:
O tecido que encobre a alma
Agora desfiado
Cala-se frente a tais rimas
Gratifica-se pelas palavras
E nesse breve desvendar
De meus delírios noturnos
Agradeço pela dedicação
E pelo desejo de desfiar tais panos
Plebeu contado por dois reis
=)
Muuuito bom!!!
Perfeito!!!
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