"Desfiando Ricardo"

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Escuridão

Ao inverso do pardo

Ao não entendido

Ao não visto

Perpetuo cáli(-se)ce de indivíduos

Concreto ou não

Escuridão....

Sombra

Diz-se da sombra que ela é dotada de ausência de luz, de forma parcial. Diz-se, também, que viver à sombra de algo ou alguém é viver atrás deste ou em função daquele ou daquilo. Dessa sombra que se vê, é aquilo que o desconhecido projeta. É o que se tenda esconder, mas o desejo teima em clarear, nem que seja um tanto, nem que a visão não vá tão adiante.

Asas de Fadas

Inflam, escudo para minhas falhas

Asas casas, fadas.

Para quem mantê-las

Para quem acha-las

Pertence-las, tê-las

Asas de fadas

Demônio

Figura enigmática, povoadora dos terrenos germinativos dos medos de muitos. Para uns, um elo perturbador entre o mundano e o sacro. Entre um deus (ou os deuses) e os homens. Para outros, não passa de mais um deus, uma caricatura de divindade. Anjos caídos, figuras originárias da luz, mas que a ela não mais pertence. Talvez demônios tenham muito mais a ver com as sombras do que com a escuridão. Pensemos...: Escuridão; ausência completa da luz. Sombra; uma parcialidade de luz, tosca, talvez, mas ainda há uma luz embaçada. Vindo de onde se diz, demônios são sombras ou são das sombras. Daí se dizer que há demônios por detrás dos seres, dependendo da posição destes ante a fonte luminosa... Há lamentos que imprimem sombras no teto, o medo a transformar pensamentos abjetos em figuras demoníacas nas paredes, nas faces, nos gestos.


Seu Cheiro

Fino ladrão que furta os sentidos. Junto ao vento frio, corta, dilacera, destrói o cobertor. Invasor nato dos meus dias, percorre quilômetros e acessa minha pálida memória pelas vias nasais, para remontar cenas passadas, construir imagens-desejos futuros... Seu cheiro a tirar minhas vestes, desvendando meu esguio demônio, ressuscitando das sombras, daquela fosca luz, meu desejo-carne, meu desejo-seu... Dá-me a luz, essa que advém de seu cheiro.

Ébano

Querido seja

Inconfundíveis sejam

Onde pairas

Aonde cega-lo?

Aonde nascê-lo

Ébano.

Asas

Na anatomia das aves, membros superiores substitutivos dos braços humanos. Na imaginação humana, vontade de voar. Talvez, a elas estão adjuntos os desejos humanos mais próximos da liberdade. As asas são meios de transporte... Sinônimo de ampliação de pensamentos, criatividade ou mera distração. Asas de anjos que se quebram e caem. Asas dos caídos que se regeneram e que alçam vôos, distanciando-os das sombras. Asas: Dessas partes que transportam seu cheiro e fazem-no pousar em plena minha varanda escarlate, minha sala quase-casa, meus lençóis solitários, meus pulmões-cama... dias e noites...

Purpuro

Roxo, vermelho

Meeiro

Para os altos

Altas realezas

Cor real, palpável, desejo.

Desejo ao consolo

Purpuro.

Lábios Flamejantes

O espelho, o reflexo, a moldura. A visão a identificar marcas no corpo esguio. Parecem-lhe queimaduras. Não ardem, apenas. Brilham a luminosidade daquelas casas noturnas. Brilham a cor rubra. Brilham o sentimento que se perpetua no instante mais carnal. Sem perícia, sob a mais singela análise, seus lábios: os provocadores de tamanhas chagas. Estes hão de retornar, pois do veneno se extrai o único antídoto para a cura destas queimaduras que não cessam... Seus lábios flamejantes queimando todos tecidos de meus órgãos. Exorcizando... (mas não sai de mim).

Estrelas

A elas , almeja-se

Deseja-se a eras

Deveras que alcança-las

Deverias,

Estrelas

Noites

Reduto natural do que se esconde e do que se revela. Há quem prefira as frias, outros há cobiçarem as quentes. Teu cheiro andarilho-voador apenas doou-me as mornas! Essas noites mornas, essas que me deito com teu cheiro, sem teus pêlos, peles, lábios...

Demônios

Tê-los?

Ou não tê-los?

És a infinda questão

Ao vivo ou nos sonhos

Demônios

Fadas

Entes oriundos do mundo invisível. Sua agilidade em intervir nos destinos dos seres é tão recorrente que percebê-las não é só uma questão de tato. Suas asas ligeiras há incidir nos dias, espalhando seus diversificados aromas mágicos, apagando as sombras, dissipando demônios, transmutando as noites em dias brandos.

Sombras

Da noite

Brinquedos de medos

Do dia, horas e companhias.

Às partes esquecidas...

Sombras

Gritante

Suas ausências e seus silêncios guerreiam nas tépidas horas em que procuro as suas formas. Seus lábios cerrados e distantes, todas as suas faces dispersas em uma indiferença alarmante, que em seus silêncios gritantes estouram os meus tímpanos, diluem minha alma.

Adormeço

Na escuridão

Cubro-me em suas asas de fadas

Deito-me sobre ébano-purpuro

Penso em estrelas e demônios

Vejo tuas sobras

Adormeço


Elias Heider de C. C e Tiago C. N

3 comentários:

° Ricardo disse...

O tecido que encobre a alma
Agora desfiado
Cala-se frente a tais rimas
Gratifica-se pelas palavras
E nesse breve desvendar
De meus delírios noturnos
Agradeço pela dedicação
E pelo desejo de desfiar tais panos
Plebeu contado por dois reis
=)

Anônimo disse...

Muuuito bom!!!

Unknown disse...

Perfeito!!!

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