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Na escuridão

Tudo o que não se esvai

É a tua presença.


Tu és o desenho que se firma

Na parte interna de minhas pálpebras.


És o calor que atiça

A vontade imensa

De que haja luz.


A mecânica do meu corpo

Quer se mover ao teu embate.


Colidir-se e fundir-se ao teu ser.


Mas a razão que emperra a alma,

Também enrijece a máquina.


Insiste em manter apagadas as luzes.


Assim, tu és o frio que arrepia o dorso,

És a linha que traceja a madrugada,

És a presença opaca e disforme.

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