Caneta

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A caneta serpenteia sobre a escrivaninha.
Projeta sua língua para além de sua boca.
Empenha-se em movimentos ludibriantes.
Objetiva desflorar o imaculado papel.

Ela me seca.
Deseja-me como um instrumento
Para satisfazer sua lascívia.

Sou para ela como cachimbo e a papoula.
Um meio para o seu contentamento,
Uma ferramenta para saciar o seu vício.

E como presa hipnotizada
Não resisto ao seu tento.
Ponho-me, então, ao seu serviço
E ao seu corpo me uno.

E, tal qual seringa plena de entorpecente,
Lanço-a sobre o límpido papel.
A desvirtuar aquele branco puro
Com a podridão das suas nefastas palavras.

2 comentários:

Ella de Dios disse...

Mais uma presa alcançada.
O cilíndro com lacre acrílico, ri satisfeito seu feito maquiavélico. Enquanto a tinta do outro lado escorre negra, a marcar para sempre o pobre papel, escravizando vez mais, do homem, a mão já cansada de tantas palavras.

Heidn Carvalho disse...

Disse tudo. Sem mais.

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